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Cumplicidades

Fotografias de Fernando Peneiras e Poemas de Augusta Maria

21
Ago21

Casa inacabada, mais conhecida por «Obras do Fidalgo».

fpeneiras

ObradoFidalgo_08a.jpg

SOPROS DE PEDRA
 
O silencio é frio
A luz dá aos vitrais as cores do arco íris
Ali na esplêndida arquitetura de arcos ogivais
Entoa o restolho de saias de cetim.
Há sombras delicadas que deslizam
Suaves como a mansidão do dia que se apaga
Passos miúdos, breves ausentes
Murmúrios suaves de oração que se não fina.
Escuta-se um melodiar de vento nos arcos do claustro
A chama dos cirios adelgaça, volteia.
Ergue-se rodopia, alteia a chama ruiva tal bailarina ousada dança nua,apenas sua cabeleira revolteia, essa chama que se despenteia lhe encobre a nudez que se incendeia
É o espaço entre os arcos ogivais um palco, nele em segredo
se ergue a ponte, na qual há encontros do remoto passado
Com o extasiado olhar perspicaz e curioso do presente.
Já o luar buscou repouso nas janelas do torreão
No chão de pedra, uma clareira, aí descansam memórias num sono apaziguado.
Em mim cresce a curiosidade pelo passado a par de toda a minha sede do presente.
 
" apenas visitas... "
Augusta Maria - 20/8/2021.
02
Ago21

O Meu Majestoso Douro

fpeneiras

Douro_03Xa.jpg

FELIZ ENTARDECER

CÂNTICO NOVO

A mente
O coração bate constantemente
O olhar que vê avidamente
A sede na alma
O enxergar penitente.

Ó! Tempo de pousio
Ó! Dias de mãos caídas no regaço
Ó! Tempo sem passos pelo campo
Ó tempo de mordaça nas palavras.

Nascem as palavras numa fenda
Como gotas límpidas, contentes
Pequena, antiga é taça na qual
Cada gota caída faz círculos de água reluzentes.

Ah!
Verdura de encanto que te dás
Ao olhar de quem beleza bebe
Vem de algures uma melodia
Talvez pinheiros mansos,
A caruma sabe canções de vento
E o vento melódicas cantigas
De silvados em flor
De erva dourada pelo calor
De zumbido de abelhas no pomar.

Meu barco parado
Meu rio luz que me embriagas
Meu chão no qual a brisa removeu já o meu rasto
Luar de Agosto que vens ao meu beiral
Invejo-te de longe
Impedida de caminhar
De ver a minha sombra, no senhoril portal do meu espaço.

Gritam em mim palavras moribundas
Um piano suave, imita rouxinóis…
O violino que amo escutar
Desata mil notas musicais
Estrelas brilham muito, muito mais
Aves voam em plena noite
Há cantares de bicos de cristal
A entoar…
Bebe o estar!
O agora, pode ser irrepetível,
Este sentir, este sonhar.

- Augusta Maria Gonçalves - 2.8.2021.

19
Jul21

Gente do meu país...

fpeneiras

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Tímido o sol beija, a calçada da saudade...
 
Derreada solidão
E na sombra cansado senta-se o ansião
Pesam-lhe os pensamentos velhos,
Há brilho instantâneo no olhar
Quando fora rapaz...
Os pés leves levavam-no por sorribas de pedra
Sem cansaço.
Alcançando o alto.
Abraçava o céu, escutava o vento.
Um arrepio!
Mas?...
Como todos os sonhos se escoaram, como fina chuva em chão sedento.
No presente só o peso das pedras
Essas que sustêm as paredes antigas
A cada pedra erguida um sonho
No presente, sombra, frio, memória
O sol a pino empresta ao empedrado da rua uma réstia de mocidade. Só que logo a ideia se rejeita
Toda a estrutura óssea não obedece ao impetuoso convite do caminho.
O Ansião bebe a lágrima perdida
Interroga as pedras erguidas
Essas passivas, mudas
Desenham num puzzle de sombras mudas.
Solidão!
 
- Augusta Maria - 19.7.2021
11
Jul21

Casa da Música - Porto

fpeneiras

Porto_014Xa.jpg

MÁSCARA GRITO:
 
Aqui numa fina ponta do tempo equilibro-me para ver os labirintos.
Há poeiras em movimento, brumas leves, sedas desfiadas, pássaros amputados, amparados pelo sopro do vento
Entoa uma melodia de água, um riso de margens entre verdura, um apontamento de fresca e tão breve poesia.
Me são familiares os labirintos, pintados de flores desmaiadas, de gritos mudos, de confidencias escritas em murais de vento.
Como num palco, as personagens vestem seu papel.
Cismadas tentam iludir a plateia sorriem a medo, maus vão os tempos, as máscaras afligem, só os olhos se expressam numa luz com pouco brilho.
Vontade de liberdade existe, num recanto sem máscaras nem regras, há risos felizes, na mão o copo erguido, nos lábios a canção desvaloriza a inconsciência do momento.
Pulsa alegre, mas…saudável?
Apenas leve, feliz o coração.
Esgueiro-me contornando a sombra, é para mim urgente percorrer os labirintos.
Faço-o, estou só.
Visito frases, das quais algumas letras se desprendem como pingos de chuva
São palavras lavadas, brancas, talvez flores de neve doutro inverno.
Leio poemas nos quais me reconheço, frágil, sofrida, inteira, refeita.
Nos ramos a folhagem entoa para mim uma nostálgica canção
A alma está nua, o olhar turvo, os pés ansiosos para adentrar o chão que me convida.
É num recolhimento atroz que eu dou conta que me desencontrei de mim
Quando, mas quando???
Ressurgirei como flor à tona de água,
Terei o gosto de caminhar, serei pétala de cor sobre água viva.
 
Augusta Maria 11.7.2021.
in” em busca de mim “
09
Jul21

Gente do meu país...

fpeneiras

Casa_01X_P&Ba.jpg

Casas de pedra:

Era num puzzle de cantaria
Pedras pesadas, trabalho árduo
Oh!
Homens de bravura, pele curtida
Músculos de aço.
E já a obra em pé se torna linda
Já habitada a casa dita.
Pela sombra da tarde
A roca fia a mulher audaz não sendo fada
Faz da lã fio fino
Doba com arte, como quem desenha
O mapa do destino.
Têm as escaleiras na erosão gravadas
Cantigas, risos, anseios, sonhos lágrimas.
São estas coisas, as que ficam
Nas fotos antigas aprisionadas.

- Augusta Maria. - 9.7.2021.

PS: Agradeço á sr. Modesta Silva pela sua disponibilidade e apreço pela entrega para que estas fotos fossem realizadas no Museu de Alvite. 

27
Jun21

Gente do meu país...

fpeneiras

Velho_02a.jpg

Pois é! Tudo já recordação:

Cabelo em desalinho...
Foram tantos os ventos!
Olhos baixos,
já em sua alma o sol se pôs...
Pele encrustada de vida e tormentos,
Rosto reclinado em oração.
A boca pregueada... tem a o sabor dos beijos das palavras, ditas com severidade... amor também...
Não sei! Será esta mulher avó e mãe?
Pende-lhe na nua orelha, um adorno de princesa, talvez dos tempos de menina... tempo em que se sonha ser rainha...

- Augusta Maria

23
Jun21

Gente do meu país...

fpeneiras

FeiraMAntiga_2019_01Xa.jpg

ILUSÃO:

Viver é esse sonho
Ilusão no fundo desse querer.
É olhar o espelho.
Ver sob a luz a lonjura do caminho.
Partir rumo ao lado contrário do espelho.
Estremecendo ao eco do cristal que se estilhaça.
Viver é a busca da estrada.
Viver é levantar poeira a cada passo.
Viver é ter o olhar buzio.
É não saber ao certo qual a estrada.
Viver é no dia x, dar-nos á doçura de um olhar.
Jogando o jogo do destino.
Apostando tudo sem ter a certeza de ganhar.
Viver é pé ante pé, construir o próprio segredo.
Viver é esse segredo constante.
O amanhã nascido incolor ou brilhante.
Somos seres de alma nua que se veste de esperança,
Sonha-se ser amado.
Já que há brasas no peito.
Onde ateado o amor arde.
A vida se faz de passos num tabuleiro de xadrez
Se encontram reis e peões, cavalos ganhadores.
Tudo e tanto se aposta e ganha.
Perde-se de quando em vez.
O tempo passa.
O amor é essa pétala frágil de flor.
Resta a convicção, que amar é um segredo
Para vencer, desbravar.
Ser um pouco louco, por amar.
É essa a loucura, o segredo, rasgar o medo.
Lutar, acreditar, vencer, AMAR!

- Augusta Maria - 2/12/ 2017

23
Jun21

Papoila vermelha...

fpeneiras

Silvestre_025Xa.jpgFLOR VERMELHA:

De seda encarnada perfume agreste.
Os folhos da saia vaporosa.
Disseste, campestre.
A flor não gostou.
Ficou chorosa.
E o vento, amante de todas as flores.
Se abeirou num sopro manso.
Beijou a papoila com arte de galã.
ELA reclinada, sentiu-se sedutora.
A campestre e só rubra flor de seda ataviada.
O vento volteou, enlaçando-a pelo caule.
Chamou-lhe de rosa perfumada.
A papoila confusa ficou titubeante,
Foi nem mais, que uma papoila campestre,
Num momento periclitante,
Sentiu-se
Altiva flor, a coroada rainha desmaiada.

- Augusta Maria

22
Jun21

Só o olhar sabe.

fpeneiras

Porto_01a.jpgSÓ O OLHAR SABE.

Vai o olhar nu se vestindo.
De verde, cor de telha e vidro.
A cidade antiga é coroa, sob o rio.
Rendilhadas clara boias,
As quais o vento abraça,
Num carpir de sons como quem chora.
Clara boias, vidros espelhados.
Onde aportam aves.
São na noite as estrelas colares,
Adornam pináculos.
Serão erguidas na cidade, clara boias.
Ou catedrais?
Há um feitiço de luz na cor do sol poente,
As vinhas são outono,
Parras em explosão de cor e mel.
Já a lua cansada de brilhar,
Despe o véu.
Deita-se no rio Douro...
É tal o brilho sobre as águas.
Que dizem os olhos atentos deslumbrados,
Um segredo.
Noite Rio e Lua,
Se amam com loucura
Sem temer.
O olhar de um ou outro coração.
Que caricias de água,
E beijos lavados
Sabe na noite acesa entender.
É esta cidade uma joia de recatada beleza e antiguidade.

- Augusta Mar

22
Jun21

Ti António...

fpeneiras

Antonio_07X.jpg

SAUDOSO SEMBLANTE:

Homem que desenhas nos lábios inquietude.
Ah! Esses teus olhos enevoados de ternura.
Foste juventude
Altivo catavento,
Foi o teu olhar o desvendar do tempo.
Sonhaste essa aventura que traçaste
No rosto, sulcos trilhas.
Uma encruzilhada de desgostos.
A barba branqueada...
Lá se esconde a história do homem que foste antes.
Leio que se perdeu tanta ternura.
És, contudo, a sabedoria
Dos humildes. Ponte!
Entre o passado e o futuro.

(Aqui fica a minha homenagem ao sr. António do Pocinho).

- Augusta Maria

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