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Cumplicidades

Fotografias de Fernando Peneiras e Poemas de Augusta Maria

05
Jun21

Forte de São Baptista das Berlengas - Ilha das Berlengas – Peniche

fpeneiras

Berlengas_06a.jpgA TINTA TRANSPARENTE DO PENSAMENTO.

Sentadas meditando, enamoradas da folha alva de papel.
Elas tão longe na distância do olhar, se cruzaram no beco do coração.
Tinham nos lábios a frescura de uma flor de Maio.
Nas mãos a pena fina que escrevia, palavras soltas como aves. Nesse voar de palavras se abraçaram como ramo delicado de violetas. Riram os olhos, num riso entoante como música. Nas mãos palavras a nascer, apenas um ramo de flores do campo, cujo perfume era um poema.
Um poema de flor, em flor,
Como se fosse borboleta contente.
Um poema de brisa que brincava travessa com os lírios amarelos.
Um poema de melodia, porque estava o céu preparado para o concerto afinado.
Eram vestidas de negro a rigor, as andorinhas, que em círculos no céu parecia tecerem tearas para rainhas.
Um poema de água, adivinhação sublime, onde dormia a mãe de água? Qual era o seio destas gotas apressadas? Gota a gota caprichoso era já um caudal de prata esse ribeiro.
Um poema, oração contemplativa, das primícias ali no altar do templo erigida ao céu, decorado pela erosão do tempo.
Um poema de luz, o sol rasgara o véu de tule das nuvens.
Acordou os girassóis altos que se embalavam ainda na manhã.
Elas as que sentadas meditavam.
Abriram os braços num gesto de terno carinho.
Sentadas seguiram seu caminho.
Usaram a pena finíssima, para registar poemas alindados de sede de água pura.
Tinha despertado a natureza.
Os olhos de mar e céu sonham maravilhas...
Vêm mais além, onde o mar azul na linha do horizonte,
Toca o Céu.
Eu!
Augusta Mar. 17.5.2018.

05
Jun21

A garça...

fpeneiras

Garça_01a.jpgA GARÇA TRISTE:

Impetuoso leito de água corre leda.
Beija as margens num beijo descuidado.
Ah! Aves ribeirinhas que perdeis o norte o ninho.
Como te atreves rio descuidado?

Já vão dois dias que a garça triste
Branca, estática permanece.
Patita entre patita, o pescoço estica.
Ali no canavial o ninho era sua casa.
A água tudo submergiu no seu caminho.

A vi ontem voo levantar,
Já anoitecia.
Era a perfeição no bater de asas.
Caiu então a noite a chuva o vento.
“pensei, partiste, buscaste novo rumo”

Engano o meu,
Olhei com espanto,
A ave mal amanheceu.
Ali impaciente e pálida procurava o ninho.

O dia foi longo, tormentoso.
A Garça resistiu até ao fim.
Inundou-se a relva onde cismava.
Já sem pé, se elevou acima da água.
Abrindo as brancas asas.
Debatia a mágoa…

Como perder um ninho é triste assim.
Por: Augusta Mar.

05
Jun21

Borboleta-cauda-de-andorinha (Papilio machaon)

fpeneiras

Borboleta_077a.jpgA FINA PENA:

Esvoaça a pena,
A nostalgia se sentou perto do poético olhar
Termina o risco delicado, tão leve,
Com que se vai arredondando cada letra,
Num simples gesto de letras desenhar, nasce o jardim,
A cor, a flor, o perfume delicado do jasmim.

Porque poeta embalas as palavras,
Enchendo teu regaço de virtude.
A virtude de escrever a alma nua,
A alma sofredora,
A alma que sonha e se enamora.

A alma que um dia deu a mão á esperança
Construiu a felicidade.
E tu que desenhas palavras.
Tens de fazer um ensaio para escrever a saudade.
Escrever saudade sem lágrima, nem dor.

Vê se és capaz de escrever saudade adornada de primavera.
Quando o grito em flor é só esperança.
Claro, que és!
Logo, logo, teus lábios recitam um poema.

Desposei a saudade num dia sem igual,
Perfumado, adornado de sol,
Tão florido.
No presente se a saudade me dá a mão,
Eu lhe dou o braço,
De braço dado passeamos, nas alamedas da ilusão.
É sempre primavera...
Ela, a saudade me leva num ledo feitiço.
Até ao sol poente de um novo verão.

Augusta Mar 2.6.2018.

05
Jun21

Gente do meu país...

fpeneiras

Homem_010Xa.jpg

SAUDOSO SEMBLANTE:

Homem que desenhas nos lábios inquietude.
Ah! Esses teus olhos enevoados de ternura.
Foste juventude
Altivo catavento,
Foi o teu olhar o desvendar do tempo.
Sonhaste essa aventura que traçaste
No rosto, sulcos trilhas.
Uma encruzilhada de desgostos.
A barba branqueada...
Lá se esconde a história do homem que foste antes.
Leio que se perdeu tanta ternura.
És, contudo, a sabedoria
Dos humildes. Ponte!
Entre o passado e o futuro.
A.M.

05
Jun21

A Padeira...

fpeneiras

a_Padeira_02a.jpgOS SORRISOS AO BORRALHO:

Elas as mulheres
Que sabem das brasas o poder
As padeiras...
Braços roliços,
Maceira a transbordar
A massa de trigo a levedar.
Socado com saber, rigor,
Alegre força braçal
Empenho dedicação.
Um quê de carinho.
Uma pitada de amor.
Elas as sábias mulheres.
Pequenas. mansas fagueiras.
Padeiras dedicadas
A quem devemos com mérito agradecer.
O manjar do trigo amassado.
Fartura deliciosa,
O pão de mel,
Na mesa presente.
De sua alteza e do operário.
Perfumado delicado em sabor o pão diário.
A.Mar.

05
Jun21

Os barcos rabelos...

fpeneiras

Rabelo_01_P&Ba.jpgDAS PEDRAS O GRITO, DO VENTO A VOZ:

Falando deste reino maravilhoso.
O sol reclina-se, o rio Douro canta, a noite desperta.
Já se soltaram os ventos.
Miragens se pintam neste leito.
Barcos Rebelos velas enfunadas...
Homens valentes enfrentam rabinas altivas empedradas.
Esvoaçam as sombras rutilas da tarde.
São bandos de aves de amplas asas.
Sombras que abraçam, as ingremes encostas.
Onde se amortalham as árvores curvadas.
Miram de longe meus olhos sombras nas pedras lapidadas.
Espelham-se diamantes nesse rio, que fatigado brilha e passa.
Emergem nas margens graníticas imagens.
Etéreas irreais por mim sonhadas.
Ao cair das estrelas cadentes descuidadas.
Já a noite adormece tudo é espanto!
Contemplo rezo, agonizo.
Nas margens do meu sonho num quebranto.
Vejo o luar amante amar o rio Douro,
Emoldurado de luz em cada curva ou canto.
Já meu coração é maior que o peito.
Já me sinto eu paisagem deste Douro.
Grandeza, espanto.
Imagem esquecida, talvez nicho de encanto.
Num altar de granítica beleza, bafejado.
Pela mão da criação.
A mão desse Deus oculto.
Mas que se manifesta na grandeza.
Da sábia mãe a Natureza.
Augusta Mar.
29/8/2017

05
Jun21

"O Meu Majestoso Douro"

fpeneiras

a_Douro_070a.jpgDouro Escondido:

Ah! Douro meu porque te escondes?
Se és soberano no vestir.
Fias gotas de chuva como linho.
Perturbas nosso olhar, quando amanhece.
A beleza se faz puro silencio.
Passa o rio correndo, vai com pressa.
Eu oro vagarosa no breviário do tempo.
Inclinada ou levada pelo vento, doce prece.
Augusta Mar.

05
Jun21

Gente do meu país...

fpeneiras

aaa_Desmancha_Porco_08Xa.jpg

DÁDIVA.

Por certo esta mulher deu e dá.
Dá aneis desfeitos de vento em seu cabelo.
Dá o atar do lenço descuidado.
Dá o brilho de seu olhar cansado.
Dá a quem passa a lição das rugas tão vincadas.
Dá-nos uma lição de ser mulher,
De sorriso iluminado.
Nunca talvez,
Além de mãe,
Tivera outro fado.
Nunca se sentisse.
Mulher. Mulher!!!

Augusta Mar.

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