Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cumplicidades

Fotografias de Fernando Peneiras e Poemas de Augusta Maria

06
Jun21

Ilha das Berlengas...

fpeneiras

Berlengas_01a.jpgTAMBEM ME FOI DADO SONHAR:

De olhos cansados, teimo em percorrer a memória.
Praias ao entardecer.
Rotas de areia d’oiro,
Mapas de búzios,
Canções de marujar.
As rendas de espuma nas falésias.
As pegadas pequenas nos areais perdidos!
Altaneiro o farol.
Tremelejando.
Era a estrela mais perto do mar.
Eram tempos de encanto e descoberta.
Perguntei?
Mãe porque tem um sino o farol?
A mãe disse.
Para alertar as casas flutuantes.
Criança, eu sonhei.
Haver estradas no nevoeiro.
Levemente se erguia sobre o mar.
Meus lábios tinham sabor a mar.
Corri na leveza, desses pés que me levavam.
Até…
Onde as luzes brilhavam.
Ia porem muito mais longe meu sonhar.
Eu já corria no túnel mágico do tempo,
Escutava o tlintar do sino no farol.
Suspensa via o mar, tal céu em movimento.
Mas era no alto das montanhas do céu a minha casa.
Foi tão altivo o farol da minha infância.
- Augusta Mar.

06
Jun21

Gente do meu país...

fpeneiras

VilarinhoSeco_0166Xa.jpg

Ti Ana, ti Ana.

És tu a frágil sombra.
O lenço o avental.
Rosto arredondado.
Sorriso aberto
Apesar da idade.
Curioso esse cajado bifurcado.
Talvez seja adereço.
Porque a sombra projetada.
Faz recordar.
Que caminham duas passo a passo.
A que sorri agora.
E a que de ter sido moça tem saudade.

Augusta Mar.

06
Jun21

"O Meu Majestoso Douro"

fpeneiras

Douro_0135_P&Ba.jpgTUDO PODES SER, POESIA:

Perdida numa tarde chuvosa de cor esvaída.
Tiritava eu.
Mesmo assim a poesia donzela adornada florescia.
Da janela acenei ao véu rendado que o rasto da ave perdida lá seguia.
Olhei a correnteza do rio impetuosa.
Que as margens alagava.
Gosto deste cenário, do rio, da corrente,
Das margens, do abraço cantado do afluente.
Olhava-o eu, agora o temia.
Ah! Tantos ninhos perdidos, eu sabia.
Já meu coração triste esmorecia.
Longe duas garças brancas num desnorte.
Teciam danças, ou voos rasantes,
Os ninhos submersos eram o lar desfeito.
Mas mesmo desse jeito,
Ali eu descobria poesia.
Poesia dama que no sofrer,
Estrofes de amor sempre faz nascer.
Poesia que faz nosso olhar incandescer.
Ao olhar o arco íris o céu pintar.
Poesia é a canção de água que salta da ingreme fenda,
Essa que fecunda o rendado chão.
Onde toda a semente se fez lenda.
Poesia que alinda a pedra de um altar.
Com um raio de luz pela janela ogival a espreitar.
Poesia que canta em mim nesta tarde que fenece enlouquecida, rouca fria
Olho a vidraça.
Onde as pingas de chuva são a meu olhar pérolas vestidas de poesia.

Augusta Mar. 14/3/2018

06
Jun21

Romanos...

fpeneiras

BracaraAugusta_080Xa.jpgPENSAMENTO.
Triste e cambaleante,
Não! Não posso fechar os olhos e não ver.
Não posso escutar melodias, quando os ecos são de dor.
Porquê? Porque é a fome que floresce,
Nas bocas rosadas e tão puras.
Porque matam á fome a inocência.
Ou se lhe dão pão,
As espera um outro destino tão cruel.
Meninas sem bonecas na porta de um bordel.
Senhores sem alma nem lei,
Porque violais as meninas ainda por crescer.
Porque rompeis com a indignidade,
As flores imaturas prenhas de virgindade?
Não! Não acheis que esta que escreve não tem a noção
De que sexo é um querer prazeroso, cheio de dignidade.
Mas basta de seres carrascos de corpos inocentes.
Onde os olhos só sonham ainda em brincar.
Com bonecos de argila feitos com a saliva da inocência,
De um ser que devia florescer,
Tendo o direito de escolher a quem se dar.
Termino este trecho com tanta reticencia...

Augusta Mar-30.5.2018.

06
Jun21

A Vindimadeira...

fpeneiras

a_Vindima_02a.jpgOS FINOS DEDOS DO VENTO
Rasa o vento forte, as árvores,
Abraça, afaga numa dança, os soltos cabelos da tarde menina.
O olhar da mulher semicerra-se para mais além poder chegar.
Pacientemente se refazem as tranças da memória.
Perdeu-se o pente de marfim.
Que um dia ELA usou para alisar,
Os cachos de cabelo louro e fino.

Oh! vestes de seda coloridas.
Rodopiais leves num adeus.
Soltam-se das pequenas mãos mil borboletas.
Passarinhos, pequenos de asas feridas.
Que moram num ninho que refiz aqui.

No peito largo onde há um coração,
Que carrega ilusões desde outro tempo.
Pintando a estrada da esperança,
Que se percorre louca, apressada,
De braço dado com o vento.

Assim foge a vida, num momento.
É! O pente de marfim, os finos dedos do tempo.
EU!
A.M.

06
Jun21

Raios de Sol...

fpeneiras

a_Comboio_03a.jpg

ALI!

Numa curva a linha férrea,
Leva pensamentos,
Um adeus
O percurso no trem do tempo
Quem o sabe?
Talvez seja cada partida uma história de saudade.
Ou, talvez seja a estação
O local do encontro, do beijo desejado.
Guardei na flor dos lábios o mel dos teus.
Ficamos assim,
Abelha, flor.
Foi a partida já faz tempo.
O sorriso emudecia na lembrança.
Hoje o sol despertou rindo manhã cedo.
Era dia de regresso, tanta esperança.
Vesti de renda o coração,
A roupa íntima daquela suave cor.
Sim para ti serei a flor.
Aqui na estação há gente para partir.
Difícil segurar o coração.
Bate feliz.
Já vejo na curva aproximar.
O trem,
Oh! já mais perto,
Te vejo na janela a acenar.
Corro ao teu encontro.
Alegre, colorida flor.
E como abelha laboriosa.
Trazes pólen nos lábios.
A doçura do mel no teu beijar.
Somos uma história de amor
Na curva do tempo para guardar.

Augusta Maria Gonçalves.
15.5.2018.

Bio do Fotógrafo

Bio da Poetisa

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Calendário

Junho 2021

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930

Blogs Portugal

Blogs Portugal

subscrever feeds

Arquivo

    1. 2021
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D

Direito das Crianças

Diga não à Violência Doméstica

Direitos Humanos

Salve Vidas

Respeito às Diferenças

Alto Douro Vinhateiro

Direito dos Animais

Em destaque no SAPO Blogs
pub