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Cumplicidades

Fotografias de Fernando Peneiras e Poemas de Augusta Maria

10
Jun21

Gente do meu país...

fpeneiras

Senhora_01Xa.jpg

Lágrima:

Eram aqueles olhos azuis claros,
Enseadas repousadas entre canaviais
No coração anoitecia,
Nos lábios um tremor
No peito uma amargura.
Solta a lágrima corria
Dando aos lábios o sabor
Daquela dor...

Não sabia chorar, ela dizia.
Era, porém, a noite a porta aberta
Por onde a saudade irrompia.
Ah!
O postigo deixava entrar a lua,
O sonho brincava na almofada.
Era a doce sombra que sorria,
Vestindo o olhar dessa magia.

Depois tudo se apagava,
O sono a lágrima calava.
Nessa doce ilusão,
Se vestia o sonho de realidade.

E essa que trazia lagos no olhar
Tinha miragens...
De doçura tal.
Eram duas crianças a razão do seu chorar.
Em sonho tudo era nítido, real!
Abraçavam-na seus amores.
Deixando-lhe no rosto toda a doçura de beijar.

- Augusta Maria Gonçalves. 16.1.2019.

10
Jun21

Gente do meu país...

fpeneiras

VilarinhoSeco_0165a.jpgHÁ FLORES SEM CHÃO:

Não tendo certeza eu pensava
Que ser poeta era ir tão mais além
Ir no encalço do vento que soprava
Ir por caminhos de sonho
fazer o caminho pelo atalho do sentir
fazer entoar palavras.
Ser curva, rabina, declive,
ponte, margem, encruzilhada.

Fatigado o olhar de tanta busca,
Falou bem mais alto o meu sentir.
Disse!
Apazigua a alma, cessa o passo
escreve o silencio, que tem voz.

Atenta! Aí na encruzilhada.
Onde passam risos inocentes,
e em contra a mão caminha a dor.
Escuta esse tropel de passos
sob o chão estéril da vida,

As lágrimas são lâminas nos rostos,
As mãos deveriam empunhar flores,
mas não, caídas, incapazes,
Está exausto o mundo,
Sem força para as erguer numa oração.

Passam...
É essa a última viagem
Da frágil menina que morreu,
de fome e sede, sem carinho.

Chorai comigo gente,
Por mais uma flor,
Que feneceu.
Fruto da desumanidade consciente,
Vazia de valores como o AMOR.

- Augusta Maria. - 18.12.2018.

10
Jun21

Gente do meu país...

fpeneiras

Senhora_04_P&Ba.jpg

FINITA É A VIDA:

No silêncio de uma igreja
Tão muda como as imagens
Está a velha sentada
Pede por certo afago da divina virgem mãe
Tem o coração cansado
A face tão enrugada
Dedos que já foram finos
Sabendo linho fiar.
No hoje!
Só o silencio
A fé o saber orar.
Pede o perdão dos pecados
Aqueles que ainda recorda
Quando foi moça bonita
E deu a boca a beijar.

Talvez este olhar perdido
Tentou ver o que escutou
Eram anjos a brincar
Ou pomba branca a voar.
Ou ecos de outros tempos
Vendo ela e seu Manel,
Sentados a namorar
Vista-os de esperança tal
O sol a declinar,
No dia que fenecia.

Hoje apura o escutar...

Seria o vento a passar?
Ou desprender da vida?
Tem desenhado na boca
O quanto lhe foi sofrida.

- Augusta Maria Gonçalves. 12.4.2019

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