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Cumplicidades

Fotografias de Fernando Peneiras e Poemas de Augusta Maria

11
Jun21

Segredos

fpeneiras

Regua_032a.jpg

SEGREDO

Tinha minha alma tanta sede!
Ouvi... longe um cantar de águas...
Percorri olhando os musgos enternecida.
Pássaros ouvi numa cantata.
Em cada pedra havia vida, uma erva verde.
Uma flor delicada...
Uma árvore velha já cansada,
de olhos assustados...
Olhos esbugalhados, na sua própria casca enrugada.
Disse-me ser tão velhinha não ver nada.
Senti seu soluço, pranteou.
Mas a hera que nela morava...
Com a graça do vento a embalou.
Velhinha, nesta ternura verde adormeceu cansada.
Fui, continuei por entre arbustos.
Entre pedras adormecidas,
Vi formigas num labor sem ter igual.
Exemplos grandiosos dessas frágeis vidas.
Cheguei por fim á nascente.
Ao milagre que da terra brota.
Era a fonte, a fenda divinal.
O riso límpido, de liquido cristal
Corria, intrépida macia, na sua frescura divinal.
Ajoelhei ali! Das mãos fiz uma concha.
Bebi a frescura do seio dessa fenda.
Senti-me! Árvore, musgo, erva cidreira, flor de rosmaninho...
Senti-me, Ave a sua sede saciar...
Senti-me um ser emergido das pedras do destino.
Senti-me eu! liberta... senti que o tempo.
Não pesava ali!
Vi as aves puras beber da mesma taça!
Ajoelhei, desejei que o meu paraíso fosse ali!
Mas veio a noite, tive frio e medo.
Compreendi que a felicidade completa,
É ilusão, miragem, um segredo...

- Augusta Maria Gonçalves.

11
Jun21

"O Meu Majestoso Douro"

fpeneiras

aaa_Douro_03a.jpgQUANDO OS CÍRIOS ARDEM:

Por trazer o olhar cansado,
Só por esquecimento não elevo
Estes olhos ávidos de cor,
Ao céu adornado como templo.

Ai! As encostas de ouro decoradas
Ouro em flor, giesta mimosa,
Jarrões de cantaria.
Ah! Douro de verde coração.

Ouço cantar o rouxinol alem...
O melro fragueiro assobia.
Arte e requebro, melodia,
Incomparável orquestra
Nem as composições de
Sebastian Bach
Nos ofertam por certo tal festim.

Na ampla sala, cirios ardem,
O rio espelha a chama viva!
Meu amado Douro de cristal murano.
Ilumina minha alma estremunhada
Dá a todos os olhos esta tela

Do presente, do ontem.
Sempre renovada,
Pincelada
De xisto, vinhedos vento.
Eterno sonho,
Onde jorra vinho generoso
Vamos brindar a essa canseira
SECULAR!

Só nos cabe na concha das mãos de pele gretada.
Uns pingos de mel, suor, saber, fadiga...
Suspensa no rasgar da bruma,
Vislumbro a taça transbordante,
De gente humilde e amorosa,
Que estoicamente, entre vinhas fraguedos,
Olivais, num ímpeto de amor, l
Desbravou, lutou!
Fez vida!!!
Sabia gente; sabe de cor a melodia
Do nascer do fruto, da queda da flor...

- Augusta Maria Gonçalves - 2.5.2019.

11
Jun21

Gente do meu país...

fpeneiras

Romaeiros_01a.jpgPOIS HÁ DIAS:

Dias de encontros casuais
Dias de procura
Dias de ler no silêncio muito mais
Que tudo que nos diz o murmurar do vento.

Há empatias perfeitas
Quando se tenta desvendar alguém através do olhar.
Há encontros de alma,
Ao ler poemas que nos recordam o que somos,
Somos tanta vez os que ingenuamente não nos apercebemos
Que a vida é essa estranhez.

Somos os doadores de sonhos que são nossos.
Somos os colhedores
Das pequeníssimas flores feitas de pétalas de palavras
Escritas por alguém de coração
Somos os subtis seres que deixamos rolar sal no rosto
Por nos enternecermos.

Somos tanta e tanta vez
Essa sede que negamos
Somos os lábios a beijar
O copo delicado a transbordar
Dessa bebida de mel e orgasmos

Somos tudo e nada
Somos os que caímos
Não somos talvez
Aqueles de coragem
Que caem e se erguem.

Aqueles que se sustêm
Na embriaguez
De um poema,
Belo, dolorido, amargo, fingido!
De quando em vez.

- Augusta Maria Gonçalves. - 5.4.2019.

11
Jun21

Noite de Luar na Aldeia...

fpeneiras

Monsaraz_022a.jpg

MEDITAR:

Já a noite dorme sob a lua.
Há estrelas no céu e nas encostas.
Vagueiam sombras perdidas,
Vestidas de suspiros
Há atrás das vidraças luzes semimortas
Corações apertadinhos, cheios de temores
Tão aflitos.
Afligem-me finas fitas que me amarram
Aos que amo,
Esses a quem asas dei, mas não fadei.
Alma temerosa de mulher inquieta
Escuta os sons da noite serena, impávida, casta
Mas só as estrelas altas e distantes
Me desafiam acreditar no amanhã.
Talvez queira Deus que tudo mude
Ou então, seja a luz, o verde, as flores a despertar
Que me tragam essa esperança,
Essa! que vejo estilhaçar.
Dou o engano aos olhos meus
Dizendo que tudo quanto brilha
Nem que seja a lágrima que desce até aos lábios.
É um cristal de sal...
Ou diamante,
Talvez a esmeralda escondida,
Na minha verde esperança tão perdida.

- Augusta Maria Gonçalves -  21.5.2019.

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